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sábado, 20 de fevereiro de 2016

NÃO COMAM BIFES, COMAM ATUM


Apercebemo-nos de duas rixas que têm estado a predominar as lides de Hip Hop Mwangolê, nomeadamente Naice Zulu vs Dj Soneca\Extremo Signo e Saguinário vs todo o mundo.

Sabe-se bem que o Hip Hop é uma cultura de auto afirmação e, como tal, torna-se normal haverem choques de personalidades dentro do movimento; por isso mesmo sempre existiram e sempre existirão os chamados beefs, que são os conflitos, muitas vezes infundados, que vão surgindo entre hip hoppers.

Sabe-se tambem que o RAP é música de intervenção social, o foco do rapper deve ser a sociedade, denunciando aspectos que ela faz questão de camuflar.  Por isso mesmo tem havido ao longo da história do Hip Hop, um enorme esforço de políticos e da indústria musical, em corromper a cultura; tirar a música RAP dos carris da informação e envolver os hip hoppers em futilidades. Mas infelizmente, muitas vezes tambem, os rappers decidem por si só, armarem-se em parvos.

Em nossa opinião, o Hip Hop nunca e jamais deve contribuir para desviar a atenção da juventude do que realmente se passa no país. Angola está a passar por uma fase social crítica, envolvendo uma crise económica que se agrava a cada dia e prisões arbitrárias de activistas cívicos (inclusive hip hoppers).

Apelamos aos jovens envolvidos nestes beefs, que ganhem juízo e sigam o conselho do mais velho (aguado) no título deste texto. Deixem-se de meninices e lamechices e sejam MC’s. Ataquem o verdadeiro inimigo.
 
Só para terminar, vamos pedir que baixem e oiçam a música de Mc K, “Te Odeio 2016”.
 

Baixe aqui.


J.I

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Pai, o Meu Rapper Favorito Fuma Liamba


Fumo no ar, mulheres sensuais, álcool e sexo desenfreado, enfim, house party. Poderá se discordar que o conceito obedeça a estas características, mas não se discorda certamente da forte associação desta imagem, deste cenário, as novas correntes da música Rap.
 
O fenómeno na verdade não é assim “tão novo”; desde sempre o Gangstar Rap introduziu esta vertente no seu estilo. “Thug 4 Life”, cantava TuPac. Então porque razão agora este estilo de vida propalado por alguns rappers é tão criticado?
 
Outra verdade é que o estilo de vida à drogas, sexo e violência sempre foi hostilizado, em qualquer sociedade e talvez por isto mesmo seja o campo temático que, tanto no cinema como na música, atraia maior público. Voltando a interrogação com que encerramos o parágrafo anterior, Nunca antes na nossa sociedade estivemos em contacto tão íntimo com esta realidade; nao tínhamos antes tão elevado número de jovens, na verdade adolescentes, a beber e fumar tão descaradamente, a trocar as salas de aulas pelas house partys. Isto sim é preocupante e leva-nos a procurar erradicar o problema desde a raiz.
 
“Eu nao sou o encarregado de educação dos meus fãs”, É a resposta dada por aluguns rappers, quando confrontados com esta questão. É certamente uma justificativa vazia e omissa, na medida em que a música, assim como qualquer outra manifestação artística, tem influência directa na vida e no comportamento do público alvo (alguns “artistas” não têm noção disso). Por outro lado, a justificativa destes nossos amigos, abre a porta para se avistar o que já chamamos de raiz do problema: a familia. Uma sociedade, como a nossa, onde a familia está desestruturada, é campo fértil para comportamentos desviantes de jovens e adolescentes, a partir da mais pequenina semente.
 
É uma grande hipocrisia acusar os rappers pelo “estado actual da juventude” e ignorar o estado completamente fragilizado em que se encontra o nucleo da sociedade.

A preocupação deve ser a educação e o diálogo no seio das famílias. 

 
J.I